A Arqueologia dos grupos indígenas em contextos históricos: Problemas e questões

  • Marcos Andre Torres de Souza Museu Nacional/UFRJ

Resumo

Este texto busca identificar alguns dos problemas que cercam o estudo dos indígenas que viveram à época da colonização brasileira e em períodos posteriores, bem como encontrar caminhos possíveis para a análise e interpretação dos vestígios materiais a eles associados. Pretende, com isso, contribuir para o incremento das investigações feitas sobre esses indivíduos, cujas trajetórias e experiências ainda são muito pouco conhecidas na perspectiva da Arqueologia.

Referências

AGOSTINI, C. 1998. Resistência cultural e reconstrução de identidades: um olhar sobre a cultura material dos escravos do Século XIX. Revista de História Regional, 3(2): 115-137.
AGOSTINI, C. 2002. Entre senzalas e quilombos: "comunidades do mato" em Vassouras do oitocentos. In: ZARANKIN, A. S. & SENATORE, M. X. (org.), Arqueologia da Sociedade Moderna na América do Sul. Buenos Aires, Editora del Tridente, pp. 19-30.
ALBUQUERQUE, M. 1969. O sítio arqueológico PE 13-Ln. Um sítio de contato interétnico: nota prévia. Pesquisas, Arqueologia, 20: 79-89.
ANCHIETA, J. D. 1933. Cartas : informações, fragmentos históricos e sermões. Rio de Janeiro, Civilização Brasileira.
ATAÍDES, J. Z. M. D. 1998. Sob o signo da violência : colonizadores e Kayapó do Sul no Brasil central. Goiânia, Editôra UCG.
ATALAY, S. 2006. Indigenous archaeology as decolonizing practice. The American Indian Quarterly, 30(3): 280-310.
BEAUDRY, M. C. 1988. Introduction. In: BEAUDRY, M. C. (org.), Documentary Archaeology in the New World. Cambridge, Cambridge University Press, pp. 1-3.
BELTRÃO, M. D. C. D. M. C. & LARAIA, R. D. B. 1969. O método arqueológico e a interpretação etnológica. Revista do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional, 17: 203-217.
BLASI, O. 1963. Aplicação do método arqueológico no estudo da estrutura agrária de Vila Rica do Espírito Santo. Boletim da Universidade do Paraná, 4: 1-13.
BLASI, O. 1966. Investigações arqueológicas nas ruínas da redução jesuítica de Santo Inácio do Ipaumbuçu ou Mini, Paraná, Brasil. XXVI Congresso Internacional de Americanistas, Sevilha.
BOURDIEU, P. 1977. Outline of a theory of practice. Cambridge, U.K. ; New York, Cambridge University Press.
BROCHADO, J. P. 1969a. A cerâmica das Missões Orientais do Uruguai: um estudo de aculturação indígena através da mudança na cerâmica. Pesquisas, Antropologia, 20: 169-201.
BROCHADO, J. P. 1969b. Pesquisas arqueológicas nos vales do Ijuí e Jacuí. Publicações avulsas do Museu Paraense Emílio Goeldi, 13: 31-62.
CAMINHA, P. V. D. 1965. A carta de Pero Vaz de Caminha. Rio de Janeiro, Livraria Agir Editôra.
CARDIM, F. O. 1997. Tratado da terra e gente do Brasil. Lisboa, Comissão Nacional para as Comemorações dos Descobrimentos Portugueses.
CASTRO, E. V. D. 1996. Os pronomes cosmológicos e o perspectivismo ameríndio. Mana, 2(2): 115-144.
CHMYZ, I. 1963. Contribuição arqueológica e histórica ao estudo da comunidade espanhola de Ciudad real do Guaira. Revista de História, 2: 77-114.
CHMYZ, I. 1964. Pesquisas arqueológicas na jazida histórica de Ciudad Real de Guaira - Paraná. Revista do Centro de Estudos Cientificos, 7-8: 105-107.
DEAGAN, K. 1988. Neither history nor prehistory: the questions that count in historical Archaeology. Historical Archaeology, 22(1): 7-12.
DEAGAN, K. 1996. Colonial transformation: Euro-American cultural genesis in the early Spanish-American colonies. Journal of Field Archaeology, 52(2): 135-160.
DEBRET, J. B. 1948. Viagem Pitoresca e Histórica ao Brasil. Belo Horizonte, Itatiaia.
DESCOLA, P. 1992. Societies of nature and the nature of society. In: KUPER, A. (org.), Conceptualizing society. London, Routledge, pp. 107-126.
DIAS JR., O. 1964. Cerâmica cabocla. Boletim de Arqueologia do IAB, 3(2): 7-11.
DUNNELL, R. C. 1991. Methodological impacts of catastrophic depopulation in american archaeology and ethnology. In: THOMAS, D. H. (org.), The spanish borderlands in pan-American perspective. Washington, D.C., Smithsonian Institution Press, pp. 561-580.
EWBANK, T. 1973. A vida no Brasil. Editora Conquista, Rio de Janeiro.
GANDAVO, P. D. M. E. 1964. História da Província Santa Cruz. São Paulo, Editôra Obelisco.
GIDDENS, A. 1989. A constituição da sociedade. São Paulo, Martins Fontes.
GILCHRIST, R. 2000. Archaeological biographies: realizing human lifecycles, -courses and -histories. World Archaeology, 31(3): 325-328.
GOSDEN, C. & MARSHALL, Y. 1999. The cultural biography of objects. World Archaeology, 31(2): 169-178.
HART, S. M., et al. 2012. Finding transitions: global pathways to decolonizing indigenous histories in Archaeology. In: OLAND, M., HART, S. M. & FRINK, L. (org.), Decolonizing indigenous histories: exploring prehistoric / colonial transitions in Archaeology. Tucson, The University of Arizona Press, pp. 1-18.
JEFFRIES, N. 2009. A Biography of a Stoneware Ginger Beer Bottle: The Biucchi Brothers and the Ticinese Community in Nineteenth-Century London. In: WHITE, C. L. (org.), The materiality of individuality: archaeological studies of individual lives. New York, Springer, pp. 57-74.
JONES, A. 2002. Archaeological theory and scientific practice. Topics in contemporary archaeology. Cambridge ; New York, Cambridge University Press.
KERN, A. A. 1982. Missões: uma utopia política. Porto Alegre, Mercado Aberto.
KERN, A. A. 1998. Arqueologia histórica missioneira. Porto Alegre, EDIPUCRS.
LIEBMANN, M. 2012. The rest is history: devaluing the recent past in the archaeology of the Pueblo Southwest. In: OLAND, M., HART, S. M. & FRINK, L. (org.), Decolonizing Indigenous Histories. Tucson, The University of Arizona Press, pp. 19-44.
LIGHTFOOT, K. 1995. Culture contact studies: redefining the relationship between Prehistoric and Historical Archaeology. American Antiquity, 60(2): 199-217.
LIGHTFOOT, K. & MARTINEZ, A. 1995. Frontiers and boundaries in archaeological perspective. Annual Review of Anthropology, 24: 471-492.
MATTHEWS, C. N. 2007. History to prehistory: an archaeology of being Indian. Archaeologies, 3(3): 271-295.
MONTEIRO, J. M. 1994. Negros da terra: índios e bandeirantes nas origens de São Paulo. São Paulo, Companhia das Letras.
NÓBREGA, M. D. 1955. Cartas do Brasil e mais escritos (opera omnia). Coimbra, Universidade de Coimbra.
OLAND, M., et al. 2012. Decolonizing indigenous histories : exploring prehistoric / colonial transitions in archaeology. Tucson, University of Arizona Press.
ORSER, C. E. & FAGAN, B. M. 1995. Historical archaeology. New York, Harper Collins College Publishers.
RIBEIRO, L. & JÁCOME, C. 2014. Tupi ou não Tupi? Predação material, ação coletiva e colonialismo no Espírito Santo, Brasil. Boletim do Museu Paraense Emílio Goeldi, 9(2): 465-486.
ROGERS, J. D. 2005. Archaeology and the interpretation od colonial encounters. In: STEIN, G. J. (org.), The Archaeology od Colonial Encounters: comparative perspectives. Santa Fe, School of American Research, pp. 331-354.
RUBERTONE, P. 2000. The Historical Archaeology of Native Americans. Annual Review of Anthropology, 29: 425-446.
SILLIMAN, S. W. 2005. Social and physical landscapes of contact. In: PAUKETAT, T. R. & LOREN, D. D. (org.), North American Archaeology. Oxford, Blackwell, pp. 273-296.
SILLIMAN, S. W. 2010. Indigenous traces in colonial spaces. Journal of Social Archaeology, 10(1): 28-58.
SINGLETON, T. A. 1999. An introduction to African-American Archaeology. In: SINGLETON, T. A. (org.), “I too, am America”: archaeological studies of African-American life. Charlottesville, University of Virginia Press, pp. 1-17.
SINGLETON, T. A. & SOUZA, M. A. T. D. 2009. Archaeologies of the African Diaspora: Brazil, Cuba, and the United States. In: MAJEWSKI, T. & GAIMSTER, D. (org.), International Handbook of Historical Archaeology. New York, Springer, pp. 449-469.
SMITH, C. & WOBST, H. M. 2005. Indigenous archaeologies : decolonizing theory and practice. London, New York, Routledge.
SOARES, F. 1966. Coisas notáveis do Brasil. Rio de Janeiro, Instituto Nacional do Livro.
SOUZA, M. A. T. D. 2010. Divisões sociais, utensílios cerâmicos e o preparo da farinha de mandioca no Brasil colonial. Clio. Série Arqueológica, 25: 97-127.
SOUZA, M. A. T. D. 2011. A vida escrava portas adentro: Uma incursão às senzalas do Engenho de São Joaquim, Goiás, século XIX. Maracanan, 7: 83-109.
SOUZA, M. A. T. D. 2012. Ao pé do fogo: a paisagem social no interior de uma senzala oitocentista. In: ANDRADE, R. D. & MACEDO, J. D. (org.), Aqueologia na paisagem: novos valores, dilemas e instrumentais. Rio de Janeiro, Rio Books, pp. 34-59.
SOUZA, M. A. T. D. 2016. Behind Closed Doors: Space, Experience, and Materiality in the Inner Areas of Brazilian Slave Houses. Journal of African Diaspora Archaeology and Heritage, 5(2): 147-173.
SOUZA, M. A. T. D. & AGOSTINI, C. 2012. Body marks, pots and pipes: some correlations between African scarifications and pottery decoration in eighteenth and nineteenth-century Brazil. Historical Archaeology, 46(3): 102-123.
STEIN, G. J. 2005. Introduction: the comparative archaeology of colonial encounters. In: STEIN, G. J. (org.), The Archaeology of colonial encounters. Santa Fe, School of American Research, pp. 3-31.
SYMANSKI, L. C. P. 2007. O domínio da tática: práticas religiosas de origem africana nos engenhos de Chapada dos Guimarães (MT). Vestigios. Revista Latino-Americana de Arqueologia Histórica, 1(2): 7-36.
SYMANSKI, L. C. P. 2014. A Arqueologia da diáspora africana no Brasil e nos Estados Unidos: problemáticas e modelos. Afro-Ásia, 49: 159-198.
SYMANSKI, L. C. P. & GOMES, D. M. C. 2012. Mundos mesclados, espaços segregados: cultura material, mestiçagem e segmentação no sítio Aldeia em Santarém (PA). Anais do Museu Paulista, 20(2): 53-90.
SYMANSKI, L. C. P. & ZANETTINI, P. 2010. Encontros culturais e etnogênese: o caso das comunidades Afro-Brasileiras do Vale do Guaporé. Vestígios, 4(2): 91-123.
TOCCHETTO, F. B. 1996. A cerâmica do Guarani missioneiro como símbolo de identidade étnica. Historical Archaeology in Latin America, 13: 77-98.
TRIGGER, B. G. 1989. A history of archaeological thought. Cambridge, Cambridge University Press.
TURGEON, L. 1997. The tale of the kettle: odyssey of an intercultural object. Ethnohistory, 44(1): 1-29.
VASCONCELOS, S. O. D. 1977. Crônica da Companhia de Jesus. Petrópolis, Vozes.
ZANETTINI, P. E. 2005. Maloqueiros e seus palácios de barro: o cotidiano doméstico na casa bandeirista. Tese de doutorado, Universidade de São Paulo, São Paulo.
Publicado
2017-06-28
Como Citar
SOUZA, Marcos Andre Torres de. A Arqueologia dos grupos indígenas em contextos históricos: Problemas e questões. Revista de Arqueologia, [S.l.], v. 30, n. 1, p. 144-153, jun. 2017. ISSN 1982-1999. Disponível em: <http://www.revista.sabnet.com.br/revista/index.php/SAB/article/view/505>. Acesso em: 22 set. 2017. doi: https://doi.org/10.24885/sab.v30i1.505.
Seção
Artigos